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O temperamento no fila brasileiro
Maurício Noblat Waissman - Canil Barroquinha do Fila Antigo
Antes de tudo devemos lembrar que praticamente todos os conceitos sobre temperamento no fila foram concebidos nas décadas de 60,70 e 80, onde o conhecimento sobre comportamento canino ainda era precário e limitado. Se concebeu um cão que rejeitasse estranhos a qualquer custo e isso foi chamado de ojeriza. Hoje, com mais informações e dados se sabe que cães são fruto de genética e ambiente, não se separando um do outro. Existe a teoria dos drives, amplamente utilizada nos últimos anos e ainda em uso, novas técnicas de adestramento baseadas no reforço dos comportamentos positivos e não na repressão aos comportamentos negativos apenas.
Tendo a teoria dos drives para ilustrar o humilde artigo, podemos definir o prey drive, o defense drive, a agressão e o sistema nervoso(estabilidade).
Se vê claramente que o que forma um cão de proteção é intensa estabilidade , prey drive elevado e agressão alta. O defense drive pode ser interpretado aqui como relacionado ao medo e a fuga.
Então, fileiros, tudo se baseia na escolha dos filhotes mais estáveis, com maior capacidade de perseguição e com maior potencial de agressão.
No fila confundiu-se ao longo do tempo cães defensivos com cães bravos. Cães defensivos estão a beira de fugir do lhe ameaça. Os critérios de avaliação em guia reforçam tal seleção, pois a guia funciona como uma limitação a fuga. Se está preso à guia e não tem como fugir do avanço do cobaia só resta avançar como forma de afugentar a ameaça. Isto é bem diferente da agressão em que o cão agride com autoconfiança e determinado a lutar com o oponente. O ataque lançado , junto com a obediência prévia é de suma importância para uma seleção mais apurada. A guia funciona como o portão das casas, é o elemento de segurança para o cão fazer sua cena com intuito de afastar a ameaça. Como se dissesse: Olha, eu mordo viu? Caí fora que eu te pego.
Outro equívoco é a luva. A luva é um foco apenas. Serve para trabalhar a caça primeiramente, ajustar a mordida do cão para ser segura e firme , e principalmente um elemento para que o cão gradativamente cresça durante o treino. O treino não torna cães medíocres em supercães. A falta de treino sim faz cães medíocres parecerem melhores do que são , diante do sistema vigente de avaliação de temperamento que há no fila.
O filhote de fila não deve ser submetido a stress de figurantes abordando-os com defesa. Filhotes devem até 1 ano e meio brincarem de caça. A agressão quando adulto explodirá naturalmente.
A socialização é outro mito. O cão deve ser exposto a todo tipo de estímulos externos, inclusive proximidade com gente. Claro que não deve deixar pessoas brincarem com o cão, mas andar e passar próximo e indiferente a pessoas reforça no cão não ver gente como algo a ser temido e sim enfrentado. O fileiro ao passear com seu fila logo que passa uma pessoa tenciona a guia reforçando no cão a percepção de serem pessoas seres a serem temidos . É um equívoco, pois um cão se forma vendo o ser humano como algo normal e que ele facilmente é capaz de subjugar. Isolar o fila é outro fato que gera apenas uma multidão de cães assustados.
E , por fim, as combinações entre linhagens tradicionais é fundamental, mas tudo reside na escolha dos filhotes da ninhada. Se apenas 1 for bom e o resto porcaria , que seja, se fica com este bom. Não se deve cair na ilusão de que cruzando 2 cães de ponta vários de ponta nasceram. E cruzas devem ser repetidas. Muitas vezes, da mesma cruza a ninhada nasce medíocre e na outra nascem pérolas. Tudo tem um algo de artesanato que é o que nos estimula.